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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Rosana, mãe de Rykelmo, um dos garotos vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, fez um desabafo ao vivo, no canal BandSports.
Rykelmo foi campeão de torneio internacional em Dubai pelo Fla Foto: Reprodução O Globo
Rosana, diz que falta amparo por parte do Flamengo e diz não ter noção de como conviver com a dor da perda.

“A minha vida é um vazio, é tanta dor, tanta falta que ele me faz, ele era meu companheiro, nós dividíamos tudo. Ele pegou uma responsabilidade cedo, a bola era a vida dele, ele sonhava em ser jogador. Ele lutou bravamente todos os dias”, disse Rosana.

As lembranças nessa época do ano, é a parte mais difícil nisso tudo.

“Eu sinto falta do bom dia do meu filho, das ligações dele sobre os treinos, desabafos, eu sinto falta de tudo. Eu sinto a falta do meu filho, esses meses são os mais terríveis, férias, final de ano ele estava comigo para comprar as coisas na ceia e esse ano eu não tive meu menino, o meu bebê, então, a dor é uma cicatriz que não seca. Só uma mãe que perde um filho é que sabe a dor da perda e da falta”, continuou.

Rosana demonstra total desânimo e dor quando fala sobre ter entregue seu filho ao Flamengo. 

“A dor é maior, porque confiei ao clube. O Flamengo teve aplausos, troféus, prêmios e nós tivemos choro, dor e um caixão. Eu recebi um caixão lacrado e eu não vi o rosto do meu filho. Essa é a dor, um buraco profundo”, disse Rosana.

A amargura de Rosana é maior, quando dizem que as famílias esqueceram a perda e estão preocupadas com o dinheiro. Rosana relata ainda que negou a ajuda psicológica e recebeu apenas dois meses de uma pensão de R$5 mil.

“O Flamengo não faz nada, não tenho psicólogo porque não aceitei, me mandaram para um que não aceitei. Tem a ajuda dessa pensão de R$5 mil que não tenho, recebi dois meses e não recebi mais. Eles não entram em acordo, eles não vão até a família, eles querem que caia no esquecimento, por isso, eles vão empurrando. Deveriam ter o mínimo de consciência e humanidade para resolver isso”, completou Rosana.

Sobre a tragédia perto de completar um ano, eu só tenho que lamentar a postura do clube. Deixar apenas na esfera jurídica e ignorar o fator humano é muito triste. Muito triste mesmo. Eu tenho certeza que se o clube tivesse outra postura, não seria tão dolorido a briga judicial.

Sei que provavelmente foi uma postura adotada na defesa do clube juridicamente, mas mesmo assim, acho que foi bem ruim até agora... Se falou muito pouco, se homenageou muito pouco. A dor será eterna, a mácula está aí e é a grande tragédia da nossa história.

O que falta para fazer um memorial no ninho? Por que não foi nem pensado nisso ainda? Por que o clube trata com a frieza da esfera jurídica?

Entrevista original

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